[ #TrueStory ] O cara novo... #4

Eu pensei que o meu #Karma acabaria no último post, então eu faria mais um contando como a minha vida ficou bonita depois de ter me livrado daquela criatura das trevas.
Mas como sabiamente diz meu amigo Ronnie: "Se desgraça fosse bom só vinha uma vez."
É.
Minha professora perguntou qual problema eu tinha com o Gustavo, então fui bem direta com ela:

Eu: Não gosto dele. Preciso de um motivo melhor que esse?
Ela: Sim. *e suspirou* Olha, Nayla, você é a aluna mais difícil que eu tenho. Nunca quer trabalhar em grupo, e nenhum profissional dessa área pode dar conta do serviço sozinho, entende isso?!

Ela estava mesmo falando comigo como se eu tivesse 5 anos?!

Eu: Mas...
Ela: Mais nada. O Gustavo é meu melhor monitor. Se tem algum problema com ele, resolva. Eu quero o relatório na minha mesa segunda-feira.





Segunda-feira já foi e já passou.
Como eu fiz pra entregar meu relatório?
Eu fui lá pedir a ajuda do Gustavo, quisesse ou não.
Encontrei com ele na biblioteca sexta passada, numa das cabines, estudando sozinho, então me armei de uma coragem de He-Man e fui lá.
Bati no vidro da porta e ele olhou pra cima, diretamente nos meus olhos.

Eu: Posso entrar? *gesticulei no vidro*

Ele negou com o rosto e voltou para o livro.
Certo.
O cara banca o babaca e ainda fica ofendido comigo...
Era tão ridículo que eu ri.
Já ia dar meia volta e desistir daquilo tudo, mas lembrei que eu precisava dele.
Eu precisava dessa nota.
Bati no vidro de novo, mas o bastardo nem olhou pra cima.
Tentei até forçar a maçaneta mas estava trancada.




Se ele estava pensando que ia me ignorar, e eu aceitaria de boa, estava REDONDAMENTE enganado.
Fui até a recepção da biblioteca e fiquei sentada num lance de escadas esperando ele aparecer.

E ele demorou uma hora até finalmente dar o ar da desgraça.
Minha bunda já estava dormente quando o bastardo apareceu caminhando na direção da sala dos livros.
Levantei e fui atrás dele.
A sala dos livros da nossa universidade é velha pra c*cete e bastante comprida, cheia de dezenas de estantes separadas por cursos.
Como não podia deixar de ser, o Gustavo foi até a de Medicina e começou a mexer numa prateleira onde havia escrito: "Anatomia."


Me aproximei por trás e o empurrei.
#MeJulguem
Mas depois de esperar uma hora pra falar com ele, estando com fome e sem caronas pra voltar pra casa só por que o playboy estava de marra comigo não contribuiu para adoçar o meu humor.
Claro, eu peguei o Gustavo de surpresa, mas ele é grande, então eu não consegui jogar ele contra a prateleira.
Na verdade, ele nem desandou com o meu empurrão, mas virou pra mim muito aborrecido.


Ele: Qual é o seu problema!?
Eu: Qual é o seu problema? Foi essa a educação que a sua mãe te deu?
Ele: Pelo visto a sua mãe também não é a melhor no quesito educação.

Eu tive certeza que com a rilhada de dentes que eu dei ia precisar de luvas ortodonticas pra todos os dentes da frente.




Mas eu tentei me controlar.
Eu precisava dele. Comecei a repetir isso como um mantra para me acalmar.
Não funcionou como devia, mas eu senti que podia terminar aquela conversa sem a pele do rosto dele debaixo das minhas unhas.

Eu: Olha, começamos tudo errado. Vamos esquecer isso. Você é o meu monitor. Deviamos nos dar bem.
Ele: Acontece que eu já tentei fazer isso, mas você dificulta as coisas.


Bem, pelo menos ele não estava mais com cara de quem ia me dar uma bifa.

Eu: Certo. Não sou muito fácil de lidar, mas você também não ajudou.

O Gustavo cruzou os braços no peito, e para meu azar, meus olhos traidores foram até a gola em 'V' da camisa dele.
Por que esse infeliz tinha que ser tão #WTF de gostoso!?
 A vida não é justa, meninas. Acreditem na MAMA.


Ele: E como eu fiz isso?
Eu: Pra começar, não devia ter me ameaçado de reprovação. Depois, não devia ter se metido quando eu dei a minha pulseira pra nossa paciente...


Putz!
"Nossa paciente"...
Confesso que pronunciar o "nossa" me deixou desconfortável.
Eu não queria compartilhar nada com ele. Nem gripe.


O Gustavo pareceu um pouco mais tranquilo.


Ele: Sobre a nossa paciente, você devia saber que é uma premissa básica não deixarmos que o paciente não se apegue á ninguém da equipe. Principalmente de fora dela, como é o nosso caso. Por que depois, ela não vai aceitar outra pessoa. E depois... A Sr. D. tem tendências suicidas. Ela teve que fazer uma cirurgia recentemente para retirar um anel do estômago que ela roubou de uma enfermeira. Imagine o que aconteceria se engolisse aquela sua bonita pulseira brilhante?


Não pensei nisso...


Bem, é claro que eu não tinha pensado.
Eu só queria ser gentil.
Mas naquele momento, do ponto de vista dele... Me senti idiota.


Eu: Olha, eu só queria...
Ele: Eu sei o que você queria, mas tem que ser mais cuidadosa.

Olhei para ele e o Gustavo sorriu para mim. Só um pouco. Uma pequena linha no canto da boca.
Contudo, aquilo DECIDIDAMENTE era um sorriso.


Eu: Então... Será que vamos poder terminar esse relatório ainda?
Ele: Só tenho um tempo livre, e é... *olhou pro relógio* Daqui há uma hora. Você vai ficar por aqui?
Eu: Eu tenho escolha? *brinquei*
Ele: Acho que não. Vou estudar. Nos vemos na cantina daqui há pouco.
Eu: Ok.


Como não tinha nada melhor pra fazer, fui diretamente pra cantina e fiquei por lá conversando com algumas amigas minhas de um outro período, depois, quando elas voltaram para a aula, fiquei ali sozinha, lendo "Memórias de uma Gueixa" no netbook e tomando um Nescau.


Não sei em que momento o Ronnie chegou, mas quando pisquei ele já estava sentando ao meu lado, me abraçando forte.

Ele: E aí, #BeeshaRika? Tá sem aula?
Eu: Tô. Daqui á pouco vou ver uma paciente no CAPS. Só esperando meu monitor.
Ele: Hummm... 

O Ronnie não é gay. Nem tem o menor jeito.
Mas é carente, e eu meio que já me acostumei com ele me abraçando, por isso nem liguei quando ele ficou agarrado comigo enquanto eu lia.
Vi quando o Gustavo chegou e fechei o meu netbook.


Eu: Hey, Ronnie, vou indo. Vai descer pra pegar carona amanhã?
Ele: Vou. Eu te ligo.


Me aproximei do Gustavo no balcão, e só então vi que ele tava acompanhado de outro cara que eu não conhecia.

Eu: Gustavo, você está livre agora? Podemos ir?
Ele: Certo. Só um minuto.


Sou idiota se disser que gostei de ele ter pedido um Nescau pro cara da cantina?
Afinal, não são muitos caras por aqui que tomam Nescau sem se sentirem atingidos na sua masculinidade.
Gustavo acabou me apresentando ao seu colega: Hugo.
Um #bophão, tenho que dizer, mas que olhou pra mim como se eu fosse um pedaço de churrasco no ponto.
Detestei de cara.
Saímos juntos da cantina, mas antes passei pelo Ronnie, ainda sentado, e beijei o seu rosto.

Eu: Vejo você depois, amor.

O Gustavo não disse nada o caminho todo até o carro dele, mesmo quando abriu a porta pra mim, e sentou ao meu lado no banco do motorista.
Na verdade, não falou mais que três palavras comigo todo o tempo em que estivemos juntos, dentro do carro dele ou no CAPS.
Eu fiquei sem jeito de perguntar se ele estava doente ou qualquer coisa do tipo, mesmo quando ele me deixou em casa.


Eu: Até depois. Obrigada pela carona.


Ele não respondeu.
Nem olhou pra mim.
Só deu a partida e foi embora, e eu fiquei o resto da noite tentando saber o que eu tinha feito dessa vez.






[ continua... ]



naylaelric@hotmail.com

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