[ #TrueStory ] O cara novo... #2

E aqui está ele. 
No exato momento em que eu escrevo essas confissões ridículas pra vocês, ele está sentado bem diante de mim, na minha mesa na biblioteca, concentrado num livro de Anatomia do tamanho dos Escritos do Mar Morto.
Podem imaginar uma cena mais #tensa que essa, depois do que aconteceu naquele beco?!


#tenso assim?!


É. Mais ou menos.
Questão é: com ele perto assim, me ocorreu que desde que eu descobri que ele é meu colega em Psiquiatria, comecei á encontrá-lo em todos os lugares.
Pra começar, semana passada, depois de um dia inteiro enfurnada aqui, na universidade, desci até a guarita com um amigo, Ronnie, pra pegarmos carona juntos e descer pra casa. #Básico.
Gosto do Ronnie por que ele me faz rir muito, de todas as coisas bobas ou importantes.
E foi precisamente no meio de uma piada dele que eu tive um acesso de riso que me tirou todo o folego.
Todo o pessoal que também esperava carona deixou de conversar pra ver quem era a louca rindo histericamente, ou seja: eu.


E estava rindo feito uma hiena quando uma alma abençoada parou bem diante da gente.
Ronnie abriu a porta detrás e entramos, por que o banco do passageiro já estava ocupado.
Consegui controlar o meu riso idiota por tempo suficiente para dizer 'Bom Dia' para os caras que nos davam carona, mas acabei engolindo meu riso junto com dois litros de saliva quando vi o 'Cara do Beco' no volante.





Ele olhou pelo retrovisor para responder ao educado 'Bom Dia' do Ronnie, e encontrou o meu olhar ABISMADO.
Se lembrou de mim, não pareceu, pois continuou a dirigir e conversar com seu colega ao lado como se nem estivéssemos ali.
Não sei se em algum momento daquela viagem macabra o Ronnie falou comigo, meu celular tocou ou começou o Apocalipse Zumbi, por que tudo o que eu conseguia ver era a nuca daquele cara, bem na minha frente, e pensar no que QUASE tinha acontecido comigo dias atrás, E SÓ NÃO acontecera por causa dele.
Nem me lembrava se tinha agradecido apropriadamente á ele pela ajuda do beco, nem nada.

Diabos!
Eu estava suando como uma doente naquele banco, embora o ar condicionado estivesse virado quase completamente na minha direção.
Só conseguia pensar em dar o fora daquele carro o quanto antes.
Então, quando ele estava perto da praça da cidade onde comumente as caronas paravam para nós, estudantes, Ronnie pediu que ele parasse.
Senti um alivio imenso quando o carro começou a desacelerar, mas antes que realmente parasse, o Cara do Beco olhou diretamente para mim através do retrovisor.

Eu sei que vou morrer antes de esquecer aquelas doze palavras:


Ele: Eu moro ali perto da igreja TAL. Posso levar vocês até lá.


Mas... mas... #WTF


Acontece que Ronnie e eu moramos praticamente ao lado da TAL igreja, então ele topou #NaHora.
Seria pelo menos quinze minutos de caminhada á menos para fazer depois de um dia #Treva.
Mas eu não podia ficar nem mais um segundo dentro do carro com aquele cara.
Me chamem de idiota, mas saber que ele viu outro cara quase me estuprar, me fazia ter pavor da presença dele.
Era como continuar revivendo a sensação daquela noite #Infernal outra e outra vez.
Por isso eu disse:

Ah, não precisa mesmo. Pode parar aqui. Obrigada.


Ronnie não disse nada enquanto saíamos do carro, mas três metros depois tentou me esganar em público.


Depois disso, comecei á ter um pouco de pânico quando ia pegar caronas.
Quero dizer: eu não ia MESMO entrar outra vez no carro do Cara do Beco, acompanhada pelo Ronnie e a SWAT, ou não.
Para meu pânico maior, não foi com as caronas dele que eu tive que me preocupar...



Hummmm... Interessante...



Acontece que acabei descobrindo o PORQUÊ de ele frequentar minhas aulas de Psiquiatria quando era aluno de Medicina.
Pois é.
O #bophe é monitor de Psiquiatria.
Informações que colhemos quando sentamos perto das #BeeshasLoucas no almoço... #SadLife

Com essa informação em mãos, minha meta número #1 na vida, depois de bolinar o Channie, foi evitar as monitorias.
Claro, eu sabia que a minha reclusão não duraria para sempre, mas eu só queria ganhar tempo.
Minha professora de Psiquiatria, entretanto, não pensava como eu.
Tanto que, essa semana ela me pediu para ficar depois da aula e disse que eu TINHA que frequentar as monitorias, pois era A ÚNICA aluna da turma que ainda não tinha ido, e que o meu desempenho na última prova não foi THE BEST.~


Eu já ia apelar pro lado sentimental dela, dizendo que era voluntária num abrigo para animais cegos onde eu lia Crepúsculo, mas não adiantou.
Ela me deu o e-mail e o telefone do Cara do Beco e pediu pra eu entrar em contato com ele antes da próxima aula, que, no caso, era no dia seguinte.


Passei tanto tempo amassando aquele maldito pedaço de papel na mão depois que saí da sala dela que quando o abri, não me surpreendi que as letras estivessem borradas.
Infelizmente, ainda dava pra entender.



WHYYYYYYYYYYYYYYYYYYY?!


Passei horas com aquele papel na mão, sentada no chão do banheiro do segundo andar do bloco de Ciências Humanas, que é o mais limpo do campus, cogitando em mentir para a minha professora dizendo que tinha perdido o papel ou fazer a ligação de uma vez e acabar com aquela agonia.
Optei por mentir.
Joguei o papel fora, peguei minha mochila, lavei as mãos e fui até a cantina comprar um Nescau antes de ir para casa.
E estava precisamente tirando o plástico do meu canudinho quando meu celular tocou.
Com uma mão pesquei ele da mochila e olhei o visor:

~ NÚMERO DESCONHECIDO ~


Tive um péssimo pressentimento, mas ainda assim atendi:

Eu: Oi?


Ouvi um riso profundo, e a voz de duas pessoas conversando longe antes que ouvisse sua voz, e precisei parar e me encostar na parede mais próxima antes de desabar no chão com o meu jeans novinho.

Ele: Oi, Nayla. Sou o Gustavo. A professora F. pediu que eu ligasse pra você. - pausa para um riso rouco - Ela disse que te deu meu número, mas você não ligaria. Está no campus? Queria te falar sobre a monitoria...


Não esperei que ele continuasse.
Apertei o botão de FIM, tirei a bateria do celular e corri para casa o mais rápido que pude.


WHAT?!


Tá, eu sou uma covarde, e daí?!
Eu me SINTO muito covarde perto do Cara do Beco, agora com nome: Gustavo.


E o pior não foi que eu desliguei na cara dele e tirei a bateria do celular parecendo uma louca histérica com sociofobia.
Pior mesmo é que hoje, depois da minha aula de Psiquiatria, a professora pediu que eu ficasse, e o Gustavo entrou na sala.
Eu não sabia se ele tinha contado pra ela da minha atitude idiota no celular, e não consegui olhar para ele pra conferir isso, mas ela me deu um trabalho de doze páginas sobre uma paciente com Esquizofrenia internada num dos CAPS da cidade á quem eu devia acompanhar e fazer uma análise detalhada por uma semana.
Era a nota que eu precisava para cobrir o meu fracasso na primeira prova da disciplina, mas fiquei tentada á não fazer.
Para meu azar maior,  minha professora incumbiu o Gustavo de me acompanhar, e quando ele começou a perguntar dos outros alunos, ela o cortou e disse que o Pedro e o Fábio, os outros monitores, cuidariam do resto da turma.

Frustrada, não me restou mais nada á não ser ficar ali com o Gustavo, sozinha.



#Misericórdia~


Eu até queria que um raio caísse sobre mim depois que a professora saiu da sala.
Esse cara tinha me ajudado e eu tinha sido uma #surtada idiota com ele, e agora estávamos sozinhos numa sala sem ar-condicionado, vivendo o momento mais #estressante da minha vida.
Felizmente ele foi o primeiro a falar, e para a minha surpresa soou rude.

Ele: Então, pode me dar seus horários pra que eu encaixe com os meus?

Soltei um profundo suspiro de aborrecimento e olhei para ele.
O Gustavo era bonito.
Tá. Não é o Channie. Não tem olhinhos puxados, nem é coxudo, mas...
Ele é bonito.
E pior: bonito e inteligente.
Deus sabe que tenho uma queda pelos inteligentes...


Eu: Olha, tenho aula todos os dias na semana, pela manhã e á tarde. Meu único tempo livre é á noite, e acho que você...
Ele: Está bom pra mim. *e ficou de pé, pronto para ir embora*
Eu: Bem... ok, então.
Ele: Vou te ligar quando eu estiver livre. *e foi na direção da porta antes de olhar para mim uma última vez* E se você desligar o telefone na minha cara outra vez, vou garantir que seja reprovada nessa matéria.


Então me deixou sozinha e com cara de idiota.







[ continua...]



naylaelric@hotmail.com


5 comentários:

  1. Bel disse...:

    Essa historia é verdade? Sério, ta parecendo aqueles romances, tô besta como é que a lazarenta da professora bota logo ele pra ser teu monitor. LOL

  1. Ms. Noctisse disse...:

    Amiga, eu sou uma azarada.~

  1. OMFG!! Yo no creo!!!! sem palavras apenas... ansiosa pela continuação! amiga, sua vida daria um livro bacana!

  1. Bel disse...:

    Concordo

  1. Anônimo disse...:

    oi vc poderia posta o novo vídeo das 2Ne1- feeling love.
    obg.

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